Reversão de Vasectomia (Vasovasostomia): Orientações para Pacientes
A reversão da vasectomia é uma cirurgia realizada com o objetivo de restabelecer a passagem dos espermatozoides pelos canais deferentes, permitindo novamente sua presença no sêmen e aumentando a possibilidade de gravidez natural.
Embora a vasectomia deva ser considerada um método contraceptivo definitivo, alguns homens decidem realizar sua reversão devido à formação de uma nova família, desejo de ter mais filhos, perda de um filho ou outras mudanças pessoais.
A cirurgia é realizada com auxílio de microscópio cirúrgico (microcirurgia), utilizando fios extremamente delicados para reconectar as estruturas responsáveis pelo transporte dos espermatozoides.
Quem pode realizar a cirurgia?
A reversão pode ser indicada para homens previamente submetidos à vasectomia que desejam recuperar a fertilidade.
Antes da cirurgia, é realizada avaliação completa, incluindo:
Tempo decorrido desde a vasectomia.
Idade da parceira e avaliação de sua fertilidade.
Exames laboratoriais.
Histórico de cirurgias prévias.
Doenças associadas.
Em alguns casos, pode ser recomendada fertilização in vitro (FIV) em vez da reversão, principalmente quando existem fatores femininos de infertilidade ou um intervalo muito longo desde a vasectomia.
Como é realizada a cirurgia?
O procedimento é realizado em centro cirúrgico, geralmente sob anestesia geral ou raquidiana.
Durante a cirurgia, o urologista identifica as extremidades dos canais deferentes previamente interrompidos e verifica a presença de espermatozoides no líquido proveniente do testículo.
Dependendo do achado intraoperatório, podem ser realizados dois tipos de reconstrução:
Vasovasostomia: reconexão direta dos canais deferentes.
Vasoepididimostomia: conexão entre o canal deferente e o epidídimo quando existe obstrução secundária.
A cirurgia costuma durar entre duas e quatro horas.
Recuperação
Na maioria dos casos, a alta hospitalar ocorre no mesmo dia.
É esperado apresentar:
Dor leve ou moderada.
Pequeno hematoma.
Inchaço escrotal.
Sensibilidade local.
Esses sintomas costumam melhorar progressivamente durante os primeiros dias.
Cuidados após a cirurgia
Durante a recuperação recomenda-se:
Repouso relativo por 48 a 72 horas.
Utilizar suspensório escrotal ou cueca justa durante a primeira semana.
Aplicar compressas frias nas primeiras 48 horas conforme orientação médica.
Evitar esforços físicos intensos por aproximadamente quatro semanas.
Não levantar peso.
Evitar bicicleta, motocicleta e esportes de impacto.
Banho e higiene
O banho pode ser realizado conforme orientação da equipe cirúrgica, normalmente após 24 horas.
A incisão deve ser mantida limpa e seca.
Evite esfregar o local operado.
Relações sexuais
As relações sexuais e a masturbação devem ser evitadas por aproximadamente duas a três semanas ou até liberação médica.
Quando procurar atendimento imediatamente
Procure seu médico caso apresente:
Febre acima de 38°C.
Dor intensa.
Sangramento persistente.
Aumento importante do hematoma.
Saída de secreção pela ferida.
Vermelhidão intensa.
Abertura da incisão.
Quais são os riscos da cirurgia?
Embora seja considerada um procedimento seguro, podem ocorrer:
Sangramento.
Hematoma.
Infecção.
Dor crônica escrotal (rara).
Formação de cicatriz.
Nova obstrução do canal deferente.
Ausência de espermatozoides no ejaculado após a cirurgia.
Falha na obtenção de gravidez, mesmo quando o canal permanece pérvio.
Qual a chance de sucesso?
O sucesso pode ser analisado sob dois aspectos:
Sucesso cirúrgico (retorno dos espermatozoides ao sêmen):
Até 3 anos da vasectomia: aproximadamente 90–97%.
Entre 3 e 8 anos: cerca de 80–90%.
Entre 9 e 14 anos: aproximadamente 60–80%.
Acima de 15 anos: aproximadamente 30–60%.
Sucesso reprodutivo (gravidez natural):
As taxas variam entre 30% e 75%, dependendo principalmente de:
Idade da parceira.
Qualidade dos óvulos.
Tempo desde a vasectomia.
Técnica utilizada.
Fertilidade do casal.
Mesmo quando a cirurgia é tecnicamente perfeita, a gravidez não pode ser garantida.
É necessário realizar espermograma?
Sim.
Após a cirurgia serão solicitados espermogramas periódicos para acompanhar o retorno dos espermatozoides ao sêmen e avaliar a recuperação da fertilidade.
A reversão está coberta pelos planos de saúde?
Não obrigatoriamente.
Embora a vasectomia faça parte da cobertura obrigatória prevista no Rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a cirurgia de reversão da vasectomia não integra o Rol de Procedimentos de cobertura obrigatória.
Assim, a maioria dos planos de saúde não possui obrigação regulatória de custear esse procedimento, salvo previsão contratual específica ou decisão judicial em situações excepcionais.
Considerações finais
A reversão da vasectomia é um procedimento altamente especializado que apresenta excelentes resultados quando realizado por cirurgião experiente em microcirurgia. Entretanto, o sucesso depende de diversos fatores individuais e não existe garantia de gravidez natural após o procedimento.
Antes da cirurgia, converse com seu urologista sobre as chances de sucesso no seu caso, alternativas como a fertilização in vitro e o planejamento familiar mais adequado.
Referências bibliográficas
Campbell-Walsh-Wein Urology. Philadelphia: Elsevier; 2021. Capítulo sobre infertilidade masculina e reconstrução microcirúrgica do trato reprodutivo.
American Urological Association e American Society for Reproductive Medicine. Guideline on the Optimal Evaluation of the Infertile Male.
Agência Nacional de Saúde Suplementar. Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde – Cobertura Assistencial. A vasectomia possui cobertura obrigatória quando atendidos os critérios legais; a reversão da vasectomia não integra o rol de cobertura obrigatória.
