Hiperplasia Prostática Benigna
A hiperplasia prostática benigna (HPB) é um aumento natural do tamanho da próstata que ocorre em muitos homens com o avançar da idade. Apesar de ser uma condição comum e não cancerosa, pode causar desconforto e interferir na qualidade de vida.
A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino, localizada logo abaixo da bexiga, envolvendo a uretra (canal por onde passa a urina). Sua principal função é produzir parte do líquido seminal.
Sintomas da HPB
Quando a próstata aumenta de tamanho, pode comprimir a uretra, causando sintomas como dificuldade para iniciar a micção, jato urinário fraco ou interrompido, necessidade de urinar com frequência (principalmente à noite), sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e urgência para urinar.
Diagnóstico
O diagnóstico da HPB é realizado por meio de avaliação clínica e exames, como toque retal, exame de PSA (Antígeno Prostático Específico), ultrassonografia de próstata e, em alguns casos, estudo urodinâmico.
Tratamento conservador e clínico
Indicado para homens com sintomas leves ou moderados, estáveis e sem complicações. A observação ativa ("watchful waiting") é recomendada para sintomas leves, com acompanhamento periódico e mudanças de estilo de vida (redução de cafeína, álcool e líquidos à noite). Os alfabloqueadores (como tansulosina e doxazosina) são a primeira escolha medicamentosa, relaxando o colo vesical e a próstata para melhorar o fluxo urinário, com ação rápida. Os inibidores da 5-alfa-redutase (finasterida, dutasterida) reduzem o volume prostático em até 25% e são indicados em próstatas maiores, com efeito em meses. A terapia combinada (alfabloqueador + inibidor da 5-alfa-redutase) é mais eficaz em sintomas moderados a graves e próstatas grandes. Os inibidores de PDE-5 (tadalafila) melhoram tanto os sintomas urinários quanto a disfunção erétil associada.
Tratamentos minimamente invasivos
Indicados para pacientes refratários ao tratamento clínico que buscam opções menos agressivas que a cirurgia convencional, como o Urolift (implante prostático, que mantém a ejaculação e é indicado em próstatas menores), a Aquablation (ablação por jato de água robotizada) e o Rezūm (terapia a vapor de água, que preserva a função sexual).
Tratamento cirúrgico
Indicado quando há falha do tratamento clínico ou complicações como retenção urinária recorrente, infecção urinária de repetição, litíase vesical, insuficiência renal obstrutiva ou hematúria de repetição. A RTU de Próstata (ressecção transuretral) é o padrão-ouro para próstatas de até 80 g, com ótimo alívio de sintomas. A enucleação prostática a laser (HoLEP, ThuLEP) é equivalente ou superior à RTU, especialmente em próstatas grandes, com menos sangramento e alta precoce. A prostatectomia aberta ou robótica é reservada para próstatas muito volumosas (acima de 100 g).
Estatísticas
Cerca de 70 a 80% dos homens com HPB apresentam sintomas leves a moderados e não necessitam de cirurgia. Apenas 20 a 30% evoluem para tratamento cirúrgico durante a vida. A tendência atual é de redução das cirurgias devido ao uso eficaz de medicamentos e técnicas minimamente invasivas (fontes: AUA, EAU, SBU, Campbell-Walsh Urology 12th Ed.).
As informações acima têm caráter educativo e não substituem uma avaliação médica individualizada. Se você apresenta sintomas urinários ou tem dúvidas sobre a próstata, agende uma consulta com o Dr. Mauro Gasparoni.
