Cirurgia da Fimose (Postectomia):
Orientações para Pacientes
A postectomia, popularmente conhecida como cirurgia da fimose, é um procedimento realizado para remover parcial ou totalmente o prepúcio, pele que recobre a glande (cabeça do pênis). O principal objetivo é tratar a fimose, condição em que essa pele não consegue ser retraída adequadamente, causando dor, dificuldade para higiene, infecções recorrentes e prejuízo à função sexual.
Em adultos, a cirurgia também pode ser indicada em casos de parafimose (quando o prepúcio fica preso atrás da glande), balanites e balanopostites de repetição, fissuras do prepúcio, líquen escleroso (balanite xerótica obliterante) e lesões suspeitas que necessitem avaliação médica.
A cirurgia é considerada segura, realizada normalmente com anestesia local associada à sedação ou anestesia raquidiana, conforme cada caso. Em geral, o procedimento dura entre 30 e 60 minutos, e a alta hospitalar ocorre no mesmo dia.
Antes da cirurgia
Algumas orientações são fundamentais para garantir maior segurança:
Realizar jejum conforme orientação do anestesista.
Informar ao médico todos os medicamentos em uso, principalmente anticoagulantes, antiagregantes plaquetários, medicamentos para diabetes e canetas para emagrecimento (semaglutida, tirzepatida e semelhantes), que podem necessitar suspensão antes da cirurgia.
Tomar banho no dia do procedimento com sabonete neutro.
Não raspar os pelos da região genital em casa, salvo orientação específica da equipe médica.
Comparecer acompanhado por um adulto responsável.
Levar todos os exames solicitados.
Como é a recuperação?
Após a cirurgia é normal ocorrer:
Inchaço da glande e da pele;
Pequenos hematomas;
Sensibilidade aumentada da glande;
Pequena quantidade de sangue no curativo;
Leve ardência ao urinar nos primeiros dias.
Esses sintomas costumam diminuir progressivamente ao longo das semanas.
A cicatrização completa normalmente ocorre entre quatro e seis semanas, podendo variar de acordo com cada paciente.
Curativos
O primeiro curativo normalmente permanece até o dia seguinte, salvo orientação diferente do cirurgião.
Após sua retirada:
Lavar delicadamente o local durante o banho apenas com água e sabonete neutro.
Secar cuidadosamente, sem esfregar.
Manter o pênis voltado para cima, apoiado sobre o abdome, utilizando uma cueca mais justa. Essa posição reduz o edema e melhora o conforto.
Quando orientado pelo médico, realizar curativos simples com gaze limpa e pomada prescrita.
Nunca utilizar álcool, água oxigenada, iodo ou produtos caseiros sobre a ferida.
Higiene
A higiene adequada é fundamental para evitar infecções.
Recomenda-se:
Banho diário.
Limpeza suave da região operada.
Secagem cuidadosa antes de recolocar a roupa íntima.
Utilizar cuecas de algodão confortáveis.
Dor
É esperado algum desconforto nos primeiros dias.
Utilize apenas os analgésicos e anti-inflamatórios prescritos pelo seu médico.
Compressas frias sobre a região pubiana (nunca diretamente sobre a pele operada) podem auxiliar na redução do inchaço.
Ereções durante a recuperação
Ereções espontâneas, principalmente durante a noite, são frequentes e geralmente não comprometem o resultado da cirurgia.
Caso provoquem leve dor, isso costuma ser temporário.
Evite estímulos sexuais durante o período de cicatrização.
Atividades
Nos primeiros dias recomenda-se:
Evitar esforços físicos intensos.
Não levantar peso.
Evitar bicicleta, motocicleta, cavalgadas e esportes de impacto.
Caminhadas leves são permitidas conforme tolerância.
A maioria dos pacientes retorna ao trabalho entre três e sete dias, dependendo da profissão.
Relações sexuais
As relações sexuais e a masturbação devem ser evitadas por aproximadamente quatro a seis semanas ou até liberação médica.
Retomar a atividade sexual precocemente aumenta significativamente o risco de abertura dos pontos, sangramento e cicatrização inadequada.
Pontos
Os fios utilizados geralmente são absorvíveis. Eles costumam cair espontaneamente entre duas e quatro semanas. Não tente removê-los em casa.
Quando procurar atendimento imediatamente
Entre em contato com sua equipe médica ou procure atendimento caso apresente:
Sangramento intenso que não melhora após compressão local.
Febre acima de 38°C.
Saída de pus ou secreção com mau cheiro.
Dor intensa que não melhora com a medicação.
Aumento importante do inchaço.
Vermelhidão progressiva e extensa.
Dificuldade importante para urinar.
Abertura dos pontos.
Quais são os riscos da cirurgia?
Embora seja um procedimento de baixo risco, podem ocorrer complicações, como:
Sangramento.
Hematoma.
Infecção.
Edema prolongado.
Atraso na cicatrização.
Deiscência (abertura parcial dos pontos).
Sensibilidade aumentada ou reduzida da glande, geralmente temporária.
Cicatriz hipertrófica.
Estreitamento do meato urinário (mais raro).
Necessidade de nova intervenção em situações incomuns.
Felizmente, quando realizada por equipe especializada e com seguimento adequado das orientações pós-operatórias, a taxa de complicações é baixa.
Por que tratar a fimose?
A fimose dificulta a higiene da glande e favorece o acúmulo de esmegma, secreções e bactérias, aumentando o risco de infecções locais, inflamações recorrentes (balanite e balanopostite), fissuras e dor durante a relação sexual.
Além disso, pacientes com fimose apresentam maior risco de desenvolver lesões pré-cancerosas e câncer de pênis, especialmente quando coexistem fatores como higiene inadequada, infecção persistente pelo HPV, tabagismo e inflamação crônica.
O câncer de pênis é uma doença rara, porém potencialmente grave. Nas fases iniciais pode se manifestar como feridas que não cicatrizam, verrugas, áreas endurecidas, sangramento ou secreção persistente. Quando diagnosticado precocemente, as chances de tratamento e cura são significativamente maiores.
Diversos estudos demonstram que a postectomia reduz de forma importante o risco de infecções crônicas e está associada à diminuição do risco de câncer de pênis quando realizada em pacientes com fimose.
Considerações finais
A cirurgia da fimose é um procedimento seguro, eficaz e com excelentes resultados quando corretamente indicada. O sucesso do tratamento depende não apenas da técnica cirúrgica, mas também do cumprimento rigoroso das orientações pós-operatórias.
Em caso de dúvidas ou surgimento de qualquer sintoma fora do esperado, entre em contato com sua equipe médica. Nunca utilize medicamentos por conta própria nem siga orientações obtidas em fontes não confiáveis sem antes consultar seu urologista.
Conteúdo de caráter informativo. Não substitui a consulta médica.
Referências
Wein AJ, Kavoussi LR, Partin AW, Peters CA, editors. Campbell-Walsh-Wein Urology. 12th ed. Philadelphia: Elsevier; 2021.
European Association of Urology. EAU Guidelines on Penile Cancer. Arnhem: European Association of Urology; atualização anual.
Pettaway CA, Crook JM, Pagliaro LC, et al. Penile Cancer. In: Campbell-Walsh-Wein Urology. 12th ed. Philadelphia: Elsevier; 2021.






