HPV (Papilomavírus Humano)
O Papilomavírus Humano (HPV) é a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo. Existem mais de 200 tipos de HPV, sendo aproximadamente 40 capazes de infectar a região genital. A maioria das pessoas terá contato com o vírus ao longo da vida, muitas vezes sem apresentar qualquer sintoma.
Os tipos de HPV são classificados em:
Baixo risco oncogênico: principalmente os tipos 6 e 11, responsáveis pela maioria das verrugas genitais.
Alto risco oncogênico: principalmente os tipos 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58, associados ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer.
Na maioria dos casos, o próprio organismo elimina o vírus espontaneamente em até dois anos.
Como ocorre a transmissão?
O HPV é transmitido principalmente pelo contato íntimo pele a pele durante relações sexuais vaginais, anais ou orais. A transmissão também pode ocorrer na ausência de penetração e mesmo quando não existem verrugas visíveis.
O uso do preservativo reduz significativamente o risco de transmissão, mas não oferece proteção completa, pois o vírus pode estar presente em áreas não cobertas pela camisinha.
HPV e o risco de câncer
Embora a maioria das infecções desapareça espontaneamente, a persistência do HPV de alto risco pode provocar alterações celulares que, ao longo de vários anos, podem evoluir para câncer.
O HPV está relacionado ao desenvolvimento de:
Câncer do colo do útero;
Câncer de pênis;
Câncer do ânus;
Câncer de vulva;
Câncer de vagina;
Câncer de orofaringe (garganta, base da língua e amígdalas).
Vale destacar que ter HPV não significa que a pessoa desenvolverá câncer, mas reforça a importância do acompanhamento médico e da prevenção.
HPV no homem
Nos homens, o HPV pode permanecer assintomático por muitos anos.
Quando há manifestações, elas podem incluir:
Verrugas na glande, prepúcio, pênis, bolsa escrotal ou região anal;
Pequenas lesões elevadas;
Coceira ou irritação local.
Na maioria dos casos não há sintomas.
Não existe exame de rastreamento recomendado para homens assintomáticos. O diagnóstico costuma ser realizado por meio do exame clínico e, quando necessário, de biópsia ou exames moleculares em situações específicas.
HPV na mulher
Nas mulheres, o HPV geralmente não causa sintomas iniciais.
Por isso, o rastreamento ginecológico é fundamental.
Dependendo da idade e das recomendações médicas, podem ser realizados:
Exame preventivo (Papanicolau);
Teste molecular para HPV de alto risco;
Colposcopia quando indicada.
O diagnóstico precoce permite identificar alterações antes que evoluam para câncer.
Vacinação contra o HPV
A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção contra o HPV.
Ela protege contra os principais tipos responsáveis por verrugas genitais e pela maioria dos cânceres relacionados ao vírus.
A vacinação é recomendada rotineiramente para:
Meninas e meninos entre 9 e 14 anos.
Pessoas imunossuprimidas conforme recomendações específicas.
Adultos até 26 anos que ainda não tenham sido vacinados.
Entre 27 e 45 anos, a vacinação pode ser considerada após avaliação individualizada com o médico, levando em consideração o risco de novas exposições e o potencial benefício.
Mesmo pessoas que já tiveram HPV podem se beneficiar da vacinação, pois ela pode oferecer proteção contra outros tipos virais não adquiridos anteriormente.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico depende da presença de sintomas e do local da infecção.
Podem ser utilizados:
Avaliação clínica;
Dermatoscopia ou peniscopia em casos selecionados;
Colposcopia;
Biópsia de lesões suspeitas;
Exames moleculares por PCR para detecção do DNA do HPV.
Cada exame possui indicações específicas e deve ser solicitado conforme avaliação médica.
Painel molecular viral (PCR)
Os testes moleculares identificam o material genético do HPV e, em alguns casos, de outros microrganismos causadores de infecções sexualmente transmissíveis.
Esses exames podem ser úteis em situações selecionadas, como:
Investigação de lesões persistentes;
Casos de difícil diagnóstico;
Acompanhamento de pacientes específicos;
Avaliação complementar conforme indicação médica.
Entretanto, não existe recomendação das principais diretrizes internacionais para realizar rastreamento de HPV por PCR em homens assintomáticos, pois ainda não há evidências de benefício clínico nessa população.
O resultado do exame deve sempre ser interpretado em conjunto com a avaliação médica.
Tratamento
Não existe medicamento capaz de eliminar diretamente o HPV.
O tratamento é direcionado às lesões provocadas pelo vírus e pode incluir:
Medicamentos tópicos;
Cauterização química;
Eletrocauterização;
Laser;
Cirurgia;
Tratamento das lesões pré-cancerosas.
O acompanhamento médico é essencial para reduzir o risco de recorrência e identificar precocemente possíveis complicações.
Perguntas frequentes
Quem tem HPV sempre apresenta verrugas?
Não. A maioria das pessoas nunca desenvolve sintomas.
O HPV tem cura?
Na maioria dos casos, o próprio sistema imunológico elimina o vírus espontaneamente. Quando isso não ocorre, é possível tratar as lesões provocadas pela infecção.
Quem já teve HPV pode tomar vacina?
Sim. A vacina não trata a infecção existente, mas pode proteger contra outros tipos do vírus.
O preservativo evita completamente o HPV?
Não. Ele reduz significativamente o risco de transmissão, mas não oferece proteção absoluta.
Todo HPV causa câncer?
Não. Apenas alguns tipos são considerados de alto risco oncogênico, e mesmo nesses casos a maioria das infecções não evolui para câncer.
Nosso compromisso
Nossa equipe atua de forma baseada nas melhores evidências científicas, oferecendo prevenção, diagnóstico e tratamento individualizado para homens e mulheres.
Quando indicado, também realizamos exames moleculares para HPV e outras infecções sexualmente transmissíveis, sempre respeitando as recomendações das sociedades médicas nacionais e internacionais e utilizando esses exames de maneira criteriosa, como complemento da avaliação clínica.
Referências científicas
World Health Organization. Human papillomavirus (HPV) and cervical cancer.
Centers for Disease Control and Prevention. STI Treatment Guidelines – Human Papillomavirus (HPV).
European Association of Urology. Penile Cancer Guidelines.
American Society for Colposcopy and Cervical Pathology. Risk-Based Management Guidelines.
Instituto Nacional de Câncer. Diretrizes para prevenção e controle dos cânceres relacionados ao HPV.
