Estenose de JUP
ESTENOSE DE JUP: QUANDO O RIM PRODUZ URINA, MAS ELA NÃO CONSEGUE DRENAR ADEQUADAMENTE
A estenose da junção ureteropélvica (JUP) ocorre quando existe uma dificuldade na passagem da urina entre a pelve renal — onde a urina se acumula dentro do rim — e o ureter, tubo que conduz essa urina até a bexiga.
Essa obstrução pode provocar dilatação do rim, chamada hidronefrose, dor e, em determinados casos, perda progressiva da função renal.
POR QUE A ESTENOSE DE JUP ACONTECE?
Ela pode estar presente desde o nascimento e só se manifestar na vida adulta.
Entre as causas estão:
➡️ estreitamento intrínseco da junção entre a pelve e o ureter
➡️ inserção anormalmente alta do ureter
➡️ alterações anatômicas da pelve renal
➡️ compressão externa por um vaso sanguíneo que cruza a JUP, chamado vaso polar ou vaso cruzado
➡️ mais raramente, processos adquiridos ou cirurgias prévias.
Alguns pacientes passam muitos anos sem sintomas.
🔎 HIDRONEFROSE SIGNIFICA NECESSARIAMENTE OBSTRUÇÃO?
Não.
Esse é um conceito muito importante.
Um rim pode estar dilatado na ultrassonografia ou tomografia sem necessariamente apresentar uma obstrução funcional significativa.
Por isso, além dos exames anatômicos, frequentemente utilizamos a cintilografia renal dinâmica com diurético, que permite avaliar separadamente a função de cada rim e estudar como ocorre a drenagem da urina.
QUANDO PRECISAMOS OPERAR?
Nem toda estenose de JUP precisa de cirurgia.
A indicação depende da combinação de vários fatores:
• presença de dor ou sintomas recorrentes
• infecções urinárias associadas
• formação de cálculos
• piora progressiva da hidronefrose
• evidência objetiva de obstrução
• redução ou deterioração da função do rim afetado.
Pacientes assintomáticos e com função renal preservada podem, em determinadas situações, ser acompanhados.
QUAL É A CIRURGIA?
Quando existe indicação de correção definitiva, o tratamento clássico é a pieloplastia desmembrada de Anderson-Hynes.
O princípio da cirurgia é bastante diferente de simplesmente "abrir" uma área estreitada.
A região doente é identificada e ressecada.
Em seguida, o ureter é novamente conectado à pelve renal, criando uma nova junção ampla e permitindo que a urina volte a drenar adequadamente.
Se houver um vaso cruzando e comprimindo a JUP, a reconstrução pode ser realizada de forma que a nova junção fique adequadamente posicionada em relação a esse vaso.
QUAL É A IMPORTÂNCIA DA CIRURGIA ROBÓTICA?
A pieloplastia é uma cirurgia essencialmente reconstrutiva.
Depois da retirada da região estreitada, precisamos realizar uma sutura delicada entre estruturas relativamente pequenas, buscando uma anastomose ampla, precisa e sem tensão.
É justamente nesse tipo de reconstrução que a plataforma robótica apresenta vantagens técnicas importantes.
Ela proporciona:
🔹 visão tridimensional ampliada
🔹 instrumentos articulados
🔹 movimentos delicados e precisos
🔹 excelente capacidade de sutura intracorpórea
🔹 facilidade para dissecar vasos cruzados
🔹 possibilidade de reconstruções complexas por acesso minimamente invasivo.
A pieloplastia robótica apresenta altas taxas de sucesso, frequentemente superiores a 90% nas séries contemporâneas.
MAS O ROBÔ NÃO É O TRATAMENTO.
Esse conceito é fundamental.
O tratamento é a reconstrução adequada da junção ureteropélvica.
A cirurgia aberta, laparoscópica convencional e robótica podem apresentar excelentes resultados quando corretamente realizadas. A vantagem da plataforma robótica está principalmente em facilitar uma reconstrução minimamente invasiva tecnicamente complexa.
E DEPOIS DA CIRURGIA?
Durante a pieloplastia, geralmente é colocado temporariamente um cateter duplo J, que mantém a drenagem interna enquanto ocorre a cicatrização da nova junção.
Posteriormente, ele é retirado.
O acompanhamento pode incluir:
• avaliação dos sintomas
• ultrassonografia
• avaliação da função renal
• e, quando necessário, nova cintilografia renal.
Um detalhe importante: o rim não precisa voltar imediatamente ao aspecto normal para a cirurgia ter sido bem-sucedida.
A hidronefrose pode persistir durante meses e, em alguns pacientes, permanecer parcialmente mesmo após a resolução da obstrução. Portanto, o resultado deve ser interpretado considerando sintomas, função renal e drenagem — e não apenas a aparência do rim na ultrassonografia.
O OBJETIVO NÃO É SIMPLESMENTE DIMINUIR A DILATAÇÃO DO RIM.
O verdadeiro objetivo é:
restabelecer a drenagem da urina, aliviar os sintomas e preservar a função renal no longo prazo.
Quando existe indicação cirúrgica, a pieloplastia robótica permite realizar essa reconstrução através de pequenas incisões, associando os princípios clássicos da cirurgia reconstrutiva à precisão da tecnologia robótica.
Referência:
Türk C, Petřík A, Sarica K, et al. EAU Guidelines on Interventional Treatment for Urolithiasis. European Urology. 2016;69(3):475–482. doi:10.1016/j.eururo.2015.07.041
Conteúdo de caráter informativo, não substitui consulta médica.


